A importância da representatividade da mulher na literatura

março 04, 2020






Ser mulher nunca foi fácil. Ainda não é. Por questões históricas, oriundas de um patriarcado machista e opressor, as mulheres permaneceram à sombra do sexo masculino em diversas áreas de conhecimento. Para conseguir ocupar qualquer espaço, seja nas ruas, nas escolas, nas urnas ou na literatura, foi necessário muita luta.

Esse domingo, 8 de março, é símbolo dessa luta histórica das mulheres pela igualdade. A data que foi oficializada pela ONU em 1975 como o Dia Internacional da Mulher, surgiu com a finalidade de lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independentemente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas.

Para celebrar esse dia especial de reflexão e luta, vamos falar um pouco sobre importância da representação da mulher na literatura? O objetivo é reforçar a importância da mulher de ocupar diversos espaços na literatura, independente do tema abordado. Seja como autoras, como personagens ou como objetos de estudo, queremos falar um pouco sobre como a participação da mulher ao longo da história no mundo dos livros. 

Como qualquer outro campo, a literatura foi um espaço majoritariamente masculino. Segundo uma pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, um coletivo de pesquisadores vinculado à Universidade de Brasília (UNB), mais de 70% dos livros publicados por grandes editoras brasileiras, entre 1965 e 2014, foram escritos por homens. 

E os dados de exclusão não param por aí, durante os primeiros 80 anos de existência da Academia Brasileira de Letras, nenhuma mulher fez parte de qualquer cadeira. Só em 1977 que Rachel de Queiroz tornou-se a primeira mulher a ingressar na Academia. Depois dela, vieram apenas 7 nomes de outras escritoras mulheres até o ano de 2020: Dinah Silveira de Queiroz, Lygia Fagundes Telles, Nélida Piñon, Zélia Gattai, Ana Maria Machado, Cleonice Berardinelli,  por fim, Rosiska Darcy.

Mesmo assim, quando se tratam de leitores em nosso país, as mulheres saem na frente. Cerca de 59% dos leitores brasileiros são mulheres segundo a quarta edição da pesquisa Retratos da Literatura realizada em 2016.

Aos poucos, as mulheres vêm conquistando o seu espaço de direito na literatura. 1932 foi um grande marco nessa luta, pois foi nessa época que a autora Nísia Floresta Brasileira Augusta se tornou uma das primeiras mulheres da história do país a publicar seus textos em jornais. Até então, diversas mulheres se viam obrigadas a se esconder em pseudônimos masculinos para publicar suas histórias em livros e em jornais pelo mundo. 

Este foi o caso da ilustre autora Emily Brontë que publicou, o então clássico da literatura, "O Morro dos Ventos Uivantes" em 1847, sob o pseudônimo masculino de Ellis Bell. Avançando 150 anos, em 1996, a famosa J.K Rowling, autora da aclamada série de "Harry Potter", foi aconselhada por seus editores a abreviar seu nome para que o público não soubesse imediatamente que o livro havia sido escrito por uma mulher.

Por isso, falar sobre a importância da representatividade da mulher na literatura torna-se tão importante. Hoje, ainda não é possível realizar uma análise completa sobre livros produzidos por mulheres durante a história, pois um enorme número de obras foram esquecidas e invisibilizadas. 

Ainda assim, o espaço ocupado pelas mulheres tem crescido cada vez mais. Agora, o mercado editorial é muito mais feminino, até já existem editoras voltadas só para produção de obras escritas por mulheres e clubes de livros voltados parar ler apenas histórias protagonizadas e escritas por mulheres também.

Contudo, mesmo com a criação de novos espaços para reflexão e luta pela literatura produzida por essas autoras, pode ser observado que esse universo ainda não deu tanto espaço para as mulheres negras. Além do machismo, estas ainda enfrentam o racismo na luta pelo reconhecimento. É um empenho duplo na batalha pela representatividade.

Para que mudanças reais e efetivas sejam feitas nesse cenário, é preciso que cada vez mais a literatura produzida por mulheres seja valorizada, independente do tema, gênero ou abordagem. Além disso, é preciso refletir sobre a condição feminina no mundo dos livros e lutar por representatividade não só por trás das histórias, mas dentro delas também. O futuro é feminino e não existem limites para as mulheres no mundo dos livros. 

A perspectiva é de mudança e o primeiro passo é sempre incentivar a leitura de mulheres, valorizar sua produção e relembrar sempre de sua história de enfreamento. Somos fortes.  E, aí? Vamos falar mais sobre as mulheres na literatura?

Qual é sua autora favorita? Fala para gente nos comentários! Vamos compartilhar nomes de autoras incríveis!





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